Maranhão, terra das palmeiras


Maranhão, terra das palmeiras

Maranhão, terra das palmeiras

“Minha terra tem palmeiras, onde canta o sabiá.”

Talvez nenhum verso tenha atravessado tantas gerações traduzindo de forma tão simples uma parte da paisagem maranhense. Gonçalves Dias escreveu sobre as palmeiras e, ainda hoje, basta pegar uma estrada pelo interior do Maranhão para entender por quê.

Elas estão por toda parte.

Babaçu, buriti, juçara, carnaúba, bacaba, tucum, macaúba. Algumas aparecem diante dos nossos olhos durante uma viagem e talvez nem saibamos seus nomes. Outras chegam primeiro pela comida, pelo artesanato, por uma bolsa, por um óleo, por um doce ou por uma história contada por quem vive naquele lugar.

Foi pensando nisso que comecei a prestar mais atenção nas palmeiras durante minhas viagens pelo Maranhão.

Porque elas não estão aqui apenas para deixar nossa paisagem bonita.

Elas contam muito sobre quem somos.

Uma paisagem que sustenta famílias

Quem viaja pelas estradas maranhenses certamente já passou por extensas áreas de babaçuais. Para quem está apenas de passagem, são palmeiras compondo a paisagem. Para muitas famílias, porém, aquele mesmo babaçual representa trabalho, alimento e renda.

O babaçu é uma das grandes riquezas da nossa sociobiodiversidade.

E não dá para falar dele sem falar das quebradeiras de coco babaçu.

São mulheres que carregam conhecimentos transmitidos entre gerações e que transformaram o aproveitamento do coco em uma atividade econômica profundamente ligada à vida de comunidades maranhenses.

Do babaçu se aproveita muita coisa.

Tem azeite, óleo, farinha de mesocarpo, sabonetes, cosméticos e artesanato. E a criatividade de quem trabalha com o fruto já levou o babaçu para receitas de sorvete, brownie, biscoitos e outros produtos.

Quando compramos alguma dessas coisas diretamente de quem produz, não estamos levando apenas uma lembrança do Maranhão para casa.

Estamos ajudando a manter uma cadeia de trabalho que nasce dentro do próprio território.

E isso também é turismo.

O buriti que colore paisagens e mesas

O buriti é outra dessas palmeiras que merecem um olhar mais demorado.

Quem encontra um buritizal durante uma viagem talvez primeiro se encante com a beleza. Mas seu fruto também está presente na alimentação e na geração de renda de comunidades.

Do buriti encontramos doces, sucos, geleias, picolés, óleos e outras preparações.

E há ainda o artesanato.

As fibras do buriti passam pelas mãos de artesãos e artesãs e se transformam em bolsas, cestarias, acessórios, objetos decorativos e tantas outras peças.

É bonito pensar nisso.

A mesma palmeira que compõe a paisagem que o turista fotografa pode estar presente na bolsa que ele encontra numa feira de artesanato algumas horas depois.

Tudo está conectado.

E se você gosta de descobrir o Maranhão também através das mãos de quem produz, conheça outra história que já contamos por aqui: a tradição da cerâmica encontrada no caminho dos Lençóis Maranhenses.

Conheça a Olaria do Amarildo: tradição, arte e cultura no caminho dos Lençóis Maranhenses

E quando chegar a São Luís, procure a nossa juçara

Tem uma experiência que eu sempre acho interessante para quem visita o Maranhão: conhecer a juçara.

Quem vem de outros estados provavelmente vai associá-la imediatamente ao açaí. Por aqui, porém, falar em juçara significa entrar em uma relação muito particular dos maranhenses com esse alimento.

Ela tem cor, sabor e memória.

E cada pessoa parece ter seu jeito preferido de comer.

É uma daquelas experiências gastronômicas que ajudam a compreender que viajar não é apenas conhecer lugares. É também descobrir como as pessoas daquele lugar comem, falam, celebram e transformam aquilo que a natureza oferece.

Além dela, temos a bacaba, o tucum, a macaúba e outras palmeiras que aparecem em diferentes partes do estado e ajudam a revelar a dimensão da biodiversidade maranhense.

Nem todos esses frutos estarão disponíveis durante todo o ano.

E isso também ensina alguma coisa ao viajante.

A natureza tem seu próprio calendário.

E se você estiver em São Luís e quiser continuar descobrindo o Maranhão pelo paladar, temos um roteiro gastronômico especial no blog.

Onde comer em São Luís: 7 restaurantes para viver uma experiência gastronômica na Ilha do Amor

Quem visita o Maranhão precisa provar o Maranhão

Eu sempre digo que uma viagem fica muito mais interessante quando a gente começa a experimentar o destino.

E experimentar não significa apenas visitar os pontos turísticos mais famosos.

Quando estiver por aqui, vá a uma feira.

Entre em um mercado.

Experimente uma fruta que você nunca provou.

Pergunte o nome.

Se encontrar um produto de babaçu, descubra quem fez.

Se vir uma bolsa de fibra de buriti, pergunte de onde ela veio.

Experimente a juçara.

Procure doces e produtos feitos com frutos da nossa terra.

Converse com as pessoas.

Talvez uma das melhores lembranças da viagem venha justamente de algo que não estava no roteiro.

Essa é uma forma de viajar que me interessa cada vez mais.

Porque movimentar o turismo também precisa significar movimentar quem está no território.

Quando um visitante compra de uma artesã, experimenta o produto de uma pequena agroindústria, conhece uma comunidade ou escolhe consumir algo produzido localmente, parte do dinheiro daquela viagem permanece ali.

Isso fortalece famílias e ajuda a manter conhecimentos que poderiam desaparecer.

Somos mesmo a terra das palmeiras

Depois que começamos a conhecê-las, a paisagem muda.

A gente deixa de olhar e dizer apenas:

“Que palmeira bonita.”

Começamos a tentar reconhecer.

Aquilo é babaçu?

É buriti?

É carnaúba?

Que fruto nasce ali?

O que fazem com ele?

Quem trabalha com isso?

De repente, uma estrada deixa de ser apenas o caminho entre São Luís e um destino turístico.

A paisagem começa a contar histórias.

E se essa estrada estiver levando você para um dos lugares mais impressionantes do nosso estado, continue a viagem pelo nosso guia dos Lençóis Maranhenses.

Lençóis Maranhenses: o que fazer, cidades e guia completo do destino

Talvez seja justamente esse tipo de curiosidade que transforme uma viagem comum em uma experiência de verdade.

O Maranhão que eu gosto de apresentar para quem chega é esse.

O Maranhão das dunas e das lagoas, claro.

Dos rios, praias e casarões.

Mas também o Maranhão das pessoas, dos sabores, dos saberes e das mãos que transformam aquilo que a nossa terra oferece.

💚 E se a viagem começar por São Luís?

Antes de seguir pelas estradas do Maranhão, permita que São Luís também faça parte dessa descoberta.

A capital conta muito da nossa história por meio dos mercados, da gastronomia, dos casarões, do reggae, do Tambor de Crioula, da ancestralidade e das pessoas que mantêm essas manifestações vivas.

São Luís não precisa ser apenas o aeroporto de chegada para quem está seguindo aos Lençóis Maranhenses.

Ela também é destino.

Por isso, preparamos um guia para quem quer conhecer a Ilha do Amor com mais tempo e curiosidade.

O que fazer em São Luís do Maranhão: guia completo para conhecer e viver a Ilha do Amor

Da próxima vez, olhe novamente

Da próxima vez que estiver viajando por aqui e encontrar uma palmeira pelo caminho, olhe novamente.

Talvez diante de você não esteja apenas uma árvore.

Pode estar o sustento de uma família.

A matéria-prima de uma artesã.

O ingrediente de uma receita.

A memória de uma comunidade.

E uma pequena parte da história do Maranhão.

Afinal, somos da terra das palmeiras.

E elas têm muito a nos contar.


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